Reforma da Previdência de Bolsonaro é um ajuste fiscal para atender interesses do capital financeiro, alerta ex-ministro Carlos Gabas

O projeto que muda as regras da aposentadoria dos brasileiros, enviado pelo governo Jair Bolsonaro (PSL) ao Congresso Nacional, não é uma reforma, mas sim um ajuste fiscal, que além de não combater privilégios, prejudica os trabalhadores. A afirmação foi feita pelo ex-ministro da Previdência no governo Dilma (PT), Carlos Gabas, durante o seminário formativo “Previdência Social no Brasil”, realizado na manhã desta segunda-feira, 1º, na sede do Sindicato dos Auditores Fiscais do RN (Sindifern).

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Gabas veio a Natal para debater os impactos para a classe trabalhadora da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 06/2019. Para ele, o projeto “propõe o desmonte da seguridade social do nosso país para atender aos interesses do capital financeiro”.

O seminário foi organizado pelo mandato do senador Jean Paul Prates (PT), em parceria com os mandatos dos petistas Natália Bonavides (deputada federal), Isolda Dantas (deputada estadual), Francisco do PT (deputado estadual), Divaneide Basílio (vereadora) e Fernando Lucena (vereador), com apoio do Sindifern e da Frente Brasil Popular do RN.

O ex-ministro alertou que, se a reforma for aprovada, teremos uma situação de “caos social no Brasil”. “A proposta de Bolsonaro não toca nos privilégios da elite econômica nem da elite do funcionalismo público. O governo quer economizar um trilhão de reais, mas mais de R$ 900 bilhões virão do Regime Geral da Previdência, que paga em média benefícios de R$ 1.400. É possível acreditar que isso combate privilégios?”, questionou.

Para Gabas, “o tema vem rodeado de muitas mentiras e obscuridades”. “Não há planilhas provando que o sistema está quebrado nem que a Previdência precisa economizar R$ 1 trilhão. Não se prova os elementos que foram utilizados para esse cálculo. Não há transparência”, pontuou.

Cidades vão quebrar

O senador Jean Paul Prates questionou a “urgência” da Reforma da Previdência. Para ele, o projeto “mexe radicalmente em pontos como a aposentadoria rural, a aposentadoria das mulheres e o Benefício de Prestação Continuada [BPC]”.

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Prates reiterou que “ninguém é contra atualizar a Previdência”, mas ponderou que é contra “essa reforma do governo Bolsonaro”. “É uma coisa equivocada, que acaba na verdade com um sistema que, atualmente, protege os brasileiros mais pobres”.

O senador chamou atenção, ainda, para os prejuízos que a reforma provocará nas pequenas cidades do RN. Ele destacou que os valores pagos em benefícios previdenciários superam em três ou quatro vezes os repasses do Fundo de Participação dos Municípios.

“As cidades vão desaparecer do mapa econômico, porque o que movimenta, em grande parte, as economias locais é a Previdência”, enfatizou.

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Fotos: Sindfern/Assessoria