Brasil precisa debater reforma do sistema bancário

Senadores Jean Paul e Rogério Carvalho conseguem aprovar na Comissão de Assuntos Econômicos audiência para discutir concentração dos bancos

 

Os senadores Jean Paul Prates (PT-RN) e Rogério Carvalho (PT-SE) conseguiram aprovar na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, nesta terça-feira, 20, requerimento para a realização de audiência pública para debater a concentração bancária no Brasil, a falta de inovação e a pouca competitividade no sistema financeiro nacional.

“No momento em que a gente discute a Presidência do Banco Central e os diretores, é preciso relembrar que o BC é a agência reguladora dos bancos”, disse Jean Paul. “Não existe agência reguladora fora do Banco Central em relação a bancos. É fundamental que a gente faça essa audiência e discuta não só a questão dos juros como a questão da democratização do acesso ao crédito”.

Os dois senadores do PT apontaram que o sistema bancário brasileiro precisa passar por uma reforma que estimule a competitividade entre as instituições, garantindo juros mais baixos, melhores serviços e tarifas mais baratas para os usuários. “Não é possível as pessoas físicas pagarem 300% de juros no cheque especial ou empresário pagar 36% de juros no seu capital de giro aos bancos”, comentou o senador Rogério Carvalho (PT-SE).

O Brasil tem hoje cinco grandes bancos que concentram 86% do mercado financeiro brasileiro. Só os três maiores bancos privados —Santander, Bradesco e Itaú—obtiveram juntos um lucro superior a R$ 60 bilhões no ano passado. Somados ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal, o lucro superou R$ 73 bilhões. “O Brasil está entre os países com sistemas bancários mais concentrados do mundo. É o país como o mais concentrado entre os emergentes citados pelo próprio BC. Entre países desenvolvidos, só a Holanda tem concentração mais alta, de 89%”, lembra Jean Paul.

A concentração bancária aumentou na maioria dos países após a crise financeira global de 2008. Isso ocorreu porque surgiu um movimento de fusões e aquisições, muitas vezes para evitar crises sistêmicas. Em 2006, por exemplo, os cinco grandes brasileiros detinham apenas 60% dos ativos.

 

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Audiência de Fátima Bezerra com Paulo Guedes: Ministro sinalizou que estuda um programa de socorro aos estados menos endividados com a União. (Foto: Vinícius Ehlers)

ENDIVIDAMENTO DOS ESTADOS

Na próxima semana, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado vai sabatinar o novo indicado para presidir o Banco Central: Roberto Campos Neto.  Ainda na terça, foi aprovada pelos integrantes da CAE o convite ao ministro da Economia, Paulo Guedes, para comparecer ao Senado e tratar do endividamento dos estados.

Ontem, Jean Paul esteve com Guedes, acompanhando a governadora Fátima Bezerra. O estado do Rio Grande do Norte decretou estado de calamidade financeira em janeiro, quando a governadora assumiu o cargo. Na audiência no Ministério da Economia, Guedes reconheceu o esforço de Fátima para enfrentar a crise financeira.

Ele disse que a equipe econômica está formatando um programa de socorro que atenda às necessidades dos estados menos endividados com a União, mas que têm problemas para pagar salários e fornecedores em dia.